Do chão não passa

E se eu cair? Se cair, do chão não passa.

Numa versão mequetrefe do Jogo do Contente, instituiu-se um novo jogo. Nos momentos de tensão quando se sabe que vai dar merda ou nos momentos em que se está tranquilo e de repente jogam tudo no ventilador, tenho recorrido ao raciocínio simples: Qual a pior coisa que pode acontecer?

Coisas ruins podem acontecer, inúmeras delas. Mas só uma é a pior de todas, o temor dos temores, a consequência final. O carimbo na carteira dando adeus a uma jornada, a batida de uma porta, gritos, olhares tortos, uma dívida não-planejada. Um susto, um tapa, uma marca.

A pior coisa pode ser uma coisa realmente ruim, pode trazer angústia aos dias seguintes, talvez até por meses. Mas se não representar nada na sua linha da vida, no barbante desenrolado desde o início da sua caminhada solo, deixa pra lá. Se for possível antecipar que essa tristeza será passageira, deixa pra lá.  Do chão não passa, prometo.

Degrau tá aí pra isso, pra gente subir de um em um, depois de dois em dois, aí querer inventar de subir de salto, correndo, de lado, de costas, e vem uma torcida de pé pra colocar tudo a perder.

Qual a pior coisa que pode acontecer? Um roxo, aquela ressaca moral quando se lembra do tombo, alguns degraus e quem sabe até um lance de escada desperdiçado, cai-se um andar inteiro, mas é isso, o pior é isso. Do chão não passa.

Tira a poeira da calça, coloca o topete no lugar e volta a subir. Ou fica parado nesse andar mesmo, ninguém está mandando você chegar lá em cima, até porque eu não posso garantir que a cobertura é tudo isso que dizem.

Se o pior for passageiro, deixa pra lá. Ok, cria umas rugas de preocupação aí nessa pele bonita, mas não perde noites de sono pelo o que é transitório. Na hora do desespero, com merda espalhada por todo canto, coloca a cabeça no lugar e raciocina: o pior que pode acontecer é isso? Então foda-se, amigo, foda-se.

Isso aqui são só uns degrauzinhos, estou passando no seu andar, mas você não está vendo dois pés fincados aqui. Está?

Se o pior que pode acontecer for irreversível, um desastre para a sua caminhada, se for cortar o seu barbante desenrolado, está liberado o desespero. Aí não tem jogo que salve. Mas se não for, deixa pra lá. É só um nó e são tantos andares.

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