mim.

Em tempos de seca, distribuo senhas para quem quiser ler. Não entrego chaves, entrego dicas. O mapa está na mesa de entrada, sirvam-se quem quiser.

É febre, sinal de que algo está fora do lugar.
Esse chão rachado, pronto pra se partir ao meio e dividir o planeta em duas partes.

Eu fico aqui nessa situação desconcertante, com as pernas abertas, um pé em cada mundo prestes a se formar. Não sei onde me encaixo agora que me roubaram.

Foi embora o lápis, a caneta, o teclado, me abriram a cabeça e tiraram um pedacinho de massa. Foram embora as palavras.

É como febre, deve ser um sinal de que algo está fora do lugar.

A gente estranha quando falta o apetite, falta o sono, falta o ânimo, falta a cor rosada das bochechas. Realmente algo deve estar errado, pois faltam palavras. Um hemograma completo, urgente.

Mas eu espero – eu realmente espero – que elas estejam todas escondidas num cantinho, ali perto da nuca, onde elas sabem que eu nunca vou procurar.

Que elas estejam lá, todas juntinhas, bem apertadinhas, vigiando o barulho do meu salto, para, com o mínimo movimento da fechadura, pularem todas, agitadas, felizes, muito vivas.

E que voltem a fazer parte de mim.

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Um pensamento sobre “mim.

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